segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um dia, foi assim...

Gostei tanto de ler isto que decidi pôr aqui. Desconheço o autor mas, quem quer que seja, resumiu bem a melhor infância possível. Nasci depois de 86 mas tanto eu como os meus amigos nos revemos nisto quando recordamos o quão felizes fomos. Claro que defendemos sempre que o que é nosso é melhor mas não consigo de forma alguma imaginar que a minha infância teria sido melhor se fosse como a dos miúdos de agora. Teria perdido demasiado. Se houve época feliz na minha vida foi, sem dúvida, até aos 14 anos. Com o carrinho de madeira feito pelo meu avô, para mim, para os primos quando cá vinham, e para o amigo que nasceu praticamente comigo e vivia (ainda vive) a dois passos. Com coisas simples eramos mais que felizes. Com pauzinhos e pedrinhas fazíamos a festa, inventávamos os nossos jogos e com eles passávamos o dia. O tempo parecia que não passava. Tinham de ser as nossas as mães a ir buscar-nos quase pela orelha para jantar, caso contrário havia energia para mais, muito mais. Era correr de manhã à noite. No quintal, na rua, depois na escola, quando começou. A jogar à bola, ao peão, à apanhada, às escondidas. A brincar com tazos, com -iós, com diablos. A tocar às campainhas e a fugir que nem loucos. Em casa eram as bonecas. Na televisão, o Dragon Ball, o Doraemon, os filmes da Disney. Com isso era uma criança feliz, não precisava do computador. Mais tarde, quando o tive, não sabia sequer o que era a Internet. O que lá jogava era com amigos mas ninguém trocava aquilo pelas brincadeiras de rua.
No meio disto tudo, há algo de que me orgulho muito também. Orgulho-me das minhas quedas. Todas. Orgulho-me das calças que rasguei, dos joelhos que esfolei, das palmadas que levei. Foram centenas, no futebol, na apanhada, no skate, na bicicleta. Chamem-me masoquista, chamem o que quiserem, fazia tudo outra vez. Cada uma delas contribuiu para formar a pessoa que sou hoje. Há uma coisa chamada experiência e isso faz muita falta aos miúdos que, hoje em dia, são colocados num pedestal. "Ai coitadinhos que não podem sair de casa, não podem cair, não se podem aleijar. Deixem-me lá comprar todos os brinquedos da loja para ele estar entretido todo o santo dia." Pais, abram os olhos. Isso está mal. Uma coisa é proteger, outra coisa é educar pior e pensar que é o melhor. As vossas crianças não vão ser mais fortes por não terem caído. Muito pelo contrário, vão ser as crianças mais atrofiadas, no verdadeiro sentido da palavra, vão ser cada vez menos desenvolvidas e cada vez mais passivas. Vão ser cada vez mais gordos e usar óculos quase desde a nascença. Enfim, o meu pensamento não vai mudar a mentalidade de agora, não vai parar o "desenvolvimento" que para mim é tudo menos isso. E isto tende a piorar, com muita pena minha. Ao menos posso estar orgulhosa do ano em que nasci. Obrigada mãe e obrigada pai por não terem "brincado" mais tarde.
"Nascidos antes de 1986.
De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas 'à prova de crianças', ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar à frente era um bónus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.
Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.
Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.
Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.
Saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
Não tínhamos Playstation, Xbox.
Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, chat na Internet.
Tínhamos amigos e se os quiséssemos encontrar íamos à rua.
Jogávamos ao elástico e à barra e à bola até doía!
Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.
Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.
Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos medo de ser apanhados.
Íamos a pé para casa dos amigos e para a escola.
Criávamos jogos com paus e bolas.
Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
(...)
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso, e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
(...)
A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986, ou depois. Chamam-se jovens.
Nunca ouviram "We are the world" e "Uptown girl" conhecem de Westlife e não de Billy Joel.
Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle, entre muitos outros.
Para eles sempre houve uma só Alemanha e um só Vietname.
A SIDA sempre existiu.
Os CD's sempre existiram.
O Michael Jackson sempre foi branco.
Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo
tivesse sido um deus da dança.
Acreditam que a Missão Impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano passado.
Não conseguem imaginar a vida sem computadores.
Não acreditam que houve televisão a preto e branco."

1 comentários:

André disse...

A verdade é que os velhos tempos é que eram..
Fuck PC's, fuck toda esta tecnologia..
Jogar á bola nos bancos haha, isso sim era vida

Enviar um comentário